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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O novo capitalismo

Como escreveu a revista "Economist" sobre o avanço do capitalismo de Estado, por aqui chamado de neodesenvolvimentismo: "A batalha definitiva do século 21 não será entre capitalismo e socialismo, mas entre diferentes versões de capitalismo".

Democrático, capitalista, multiétnico, ocidental e do Sul, rico e pobre, o Brasil optou por reduzir sua complexa força num simplório terceiro-mundismo 2.0. Mas pense bem: temos mais semelhanças com os EUA ou com a China e a Índia?

Nossa emergência econômica e política e a sucessão dos dois maiores eventos globais em solo brasileiro no espaço de dois anos fazem destes anos o momento perfeito para o Brasil se posicionar no imaginário global.
Essa imagem só pode ser a de um país democrático, capitalista, em paz com todas as nações, a melhor ponte entre o Norte e o Sul na nova divisão de poder mundial. É uma posição, um papel, que só nós podemos exercer. Devemos começar por Cuba, uma grande oportunidade.

Um artigo muito interessante de Sérgio Malbergier, acerca do posicionamento do Brasil nesta era global, a propósito da visita de Estado de Dilma Rousseff a Cuba, onde o Brasil pode ter um papel importante.

O capitalismo de Estado, interpretado pelas potências emergentes, veio para ficar nesta nova etapa.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aceita-se sempre a oferta mais alta quando não há estratégia

Li, hoje, este artigo de Marques Mendes, um dos novos cronistas da praça lusa.

Infelizmente, ainda há quem continue a considerar bom o negócio do Estado português com a chinesa "Três Gargantas". Nem mesmo depois do empresário chinês ter dito que a compra foi barata há qualquer reconhecimento da facilidade da venda, que Portugal devia ter feito cara.

Marques Mendes aplaude o negócio feito e vê grandes virtudes na China. Uma economia pujante, será a líder mundial dentro de algum tempo e quer entrar no mercado energético europeu, razões de sobra para Portugal se render a Pequim, destaca o antigo Ministro do PSD.

Do lado chinês, considero o investimento pertinente e válido. E até acabou por ser uma compra a preço de saldo.

Porém, o que Marques Mendes assim como os nossos governantes não entendem, é que Portugal também joga um papel estratégico importante e a energia é um sector vital nesta era. Basta atender, desde logo, à falta de uma política energética comum na UE e como a Rússia beneficia disso, com pesadas consequências para os consumidores europeus. A energia é um dos sectores mais importantes e, ao mesmo tempo, mais debilitantes do projecto europeu. Mas por cá, isso não é entendido.

E, nesta lógica europeia, de cada Estado por si, Portugal, quando devia saber lidar com o Brasil, outro dos interessados na aquisição da EDP, o nosso País acabou por desbaratar uma das alavancas do projecto lusófono.

É certo que a oferta brasileira não era tão boa como a chinesa, mas devia comportar um leque de negócios noutros domínios e que, provavelmente, Brasília poderia ver com bons olhos, até porque há domínios em que o Brasil carece de investimento e as empresas portuguesas podiam/podem desempenhar um papel importante.

Talvez Marques Mendes desconheça que o Brasil é outra das potências económicas mundiais, a 6ª actualmente, e com quem temos afinidades ainda mais ancestrais do que temos com a China. Talvez Marques Mendes desconheça a previsão económica de que até ao final desta década o Brasil esteja à frente de todas as potências europeias, o que significa, ultrapassar a França e a Alemanha, e estar nos primeiros lugares mundiais, a par dos EUA e da China.

Infelizmente, para os nossos governantes, o Brasil, como Angola, apenas servem para enviar os nossos professores de português e jovens quadros. E os nossos comentadores do regime acabam por aplaudir o que nos sairá caro.