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terça-feira, 10 de abril de 2012

O Oskar Lafontaine francês

Mélenchon, el candidato de la izquierda radical que quiere gobernar Francia

Uma candidatura em crescendo e com força. Mélenchon apresenta-se como uma das candidaturas mais fortes, batendo concorrentes que se esperariam com mais força neste momento, como Marine Le Pen, que viu Sarkozy retirar-lhe grande parte das bandeiras, e François Bayrou, a surpresa das presidenciais de 2007.

A propósito das causas do ex-militante socialista vale a pena conhecer a leitura de Cohn-Bendit, que o encara como reforço, inesperado, de Sarkozy.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Tudo pode mudar nas presidenciais francesas

O grande problema francês, como da maior parte dos Estados europeus, é económico. O país tem dificuldade em retomar o crescimento económico, gerar empregos e preservar o Estado Social.

Há décadas que o país das Luzes perde competitividade, no quadro global, e essa é uma das maiores ameaças a uma nação que sempre teve os melhores patamares de desenvolvimento no mundo.

Porém, não obstante este ponto central, a tragédia de Toulouse vem baralhar as opções eleitorais e, por umas semanas, as preocupações vão centrar-se na forma como lidar com o terrorismo e a imigração, assuntos que, amiúde, estão na ordem do dia em França, quer pelas causas da Frente Nacional quer pelas políticas de Nicolas Sarkozy, inscritas na agenda do país.

O terrorismo, em abono da verdade, é, no mundo Ocidental, um dos problemas sempre presentes desde o 11 de Setembro de 2001. Todavia, a maioria das nações ocidentais só lida com o tema quando este se faz sentir de forma trágica, caso contrário, até há um sentimento predominante na população de que nem vale muito a pena prestar atenção à matéria, pois isso só acontece aos outros. Ora não acontece aos outros, está no seio das nossas sociedades. Não vale a pena continuar a ignorar.

O que se pode começar a considerar lamentável, nesta disputa presidencial francesa, é o emergir, de uma forma totalmente hipócrita e sem respeito, do tema do terrorismo e, sobretudo, da imigração, com finalidade meramente eleitoral, quando há matérias, como esta, que não podem ser tratadas como mera arma de arremesso político, pois representam grandes riscos para o país, a nível cultural, religioso, económico e, especialmente, social.

A extrema-direita já fez saber que o Governo tem medo de intervir, com mão-de-ferro, nos bairros problemáticos e, por isso, o sucedido em Toulouse é resultado da impunidade. O Governo de Sarkozy voltou a carregar na tónica, ainda que de modo suave em relação a recentes declarações do próprio Sarkozy e do seu Ministro do Interior, da necessidade de punir a qualquer custo, num discurso claramente óbvio de procurar associar o Islão ao terrorismo e, com esta premissa, legitimar a expulsão de milhares de imigrantes. Porém, há um senão, muitos dos jovens dos banlieue são cidadãos franceses (não era o caso de Merah), ainda que os próprios não se sintam como tal, isto é, nem reconhecem qualquer identidade do país de origem dos pais e/ou avós, de antigas colónias francesas, nomeadamente as do norte de África, nem se sentem pertença do país em que nasceram, a França, a qual não lhes apresenta qualquer caminho de futuro.

Em certa medida, este também é um dos sinais de decadência que a França apresenta, não saber lidar com o futuro e qual o caminho que o país das Luzes pode oferecer às novas gerações.

Quanto à eleição presidencial, se até há pouco tempo a vitória de Hollande seria mais do que provável, tendo o tema da economia um destaque sem concorrente, pois os últimos cinco anos de Sarkozy representaram o oposto do que prometera em 2007, com a entrada do tema terrorismo com a questão da imigração associada, as contas voltam a baralhar-se e qualquer um pode singrar. Hollande, Sarkozy e Le Pen, mas também Mélenchon. A corrida está aberta e a exploração dos sentimentos mais primários tenderá a destacar-se, numa visão dicotómica, com possibilidades de gerar ganhos eleitorais, mas a médio prazo com nocivas marcas sociais.

Sarkozy, agora, se quiser bem sucedido, basta seguir a estratégica de campanha de George W. Bush em 2004, para ser reeleito. Jogar com os valores da nação, independentemente do resto, e assumir-se como o único capaz de lidar com a racaille.

Marine Le Pen não deixará de passar este momento para reconquistar o eleitorado que tem vindo a perder, empunhando, ainda com mais força, as causas da sua formação, procurando demonstrar como a FN sempre esteve correcta na identificação e solução dos problemas.

Hollande, para ser bem sucedido, precisa de não cair nas ciladas que os seus oponentes à direita lhe irão colocar constantemente, mas para isso conta com um apoio importante, o de Manuel Valls.

Veremos como decorre a eleição, agora que estamos a poucas semanas de uma escolha decisiva para a França e a UE.       

terça-feira, 13 de março de 2012

A cópia (Sarkozy) a conquistar o original (Le Pen)

Perante o favoritismo dos socialistas, em parte graças ao descalabro de cinco anos desastrados do mandato presidencial de Sarkozy, que nada fez do que prometera na campanha de 2007, estas eleições estão a ser preparadas pelo UMP centrados na extrema-direita.

Ao contrário das opções tradicionais, de moderar as candidaturas, de modo a cobrir uma dimensão eleitoral superior à base eleitoral do partido, Sarkozy e a sua equipa em vez de lutarem por um eleitorado  do centro-esquerda ao centro-direita, presentemente disputado pelo PS e o MoDem, a FN, de Le Pen, é encarada como o "reservatório" de votos a conquistar.

De facto, se Sarkozy não passar, tal se deverá ao apoio dado pelo eleitorado a Marine Le Pen - hipótese cada vez mais remota. A ter em consideração as últimas sondagens, a estratégia de Sarkozy está a dar frutos. Pela primeira vez, Sarkozy, na primeira volta, está à frente de Hollande. Porém, Sarkozy esquece-se que há uma segunda volta e nessa, parte do eleitorado central, está afugentado. Ainda no domingo, no comício que fez em Villepinte, Sarkozy conseguiu assumir um discurso puramente de extrema-direita, ao ameaçar fechar Schengen, no seguimento do discurso anti-imigração que tem vindo a fazer.

É muito preocupante que a direita francesa, com Sarkozy, se tenha rendido ao radicalismo e rasgado aqueles que eram os compromissos de Estado, que o RPR sempre assumiu, desde De Gaulle. E é mais preocupante não só por esta campanha, mas também pelo futuro da direita gaulesa.  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Resultados de cinco anos de mandato

La paradoja es que Sarkozy quiere ser ahora como Alemania, pero ha tenido cinco años para intentar parecerse y no lo ha conseguido. Los datos económicos certifican que la distancia entre los dos grandes potencias del euro se ha ido ampliando cada vez más. Bajo su mandato, París ha aumentado sus parados en más de un millón de personas (récord histórico desde 1999) mientras que el alemán es del 6,8%. Francia batió en 2011 su dato de balance comercial (más de 70.000 millones de déficit) mientras Alemania tiene superávit. Sarkozy ha aumentado la deuda pública en 612.000 millones de euros, llevándola al 87% del PIB, mientras Alemania anda en el 84% pero paga por ella bastante menos, cuando no cobra.

Dentro, las desigualdades han crecido de forma brutal, tanto por el número de pobres (más de ocho millones, 82.000 nuevos cada año), como por los regalos fiscales a los ricos, calculados en 75.000 millones de euros. En educación, Francia ha suprimido 80.000 profesores y bajado 12 puestos en la clasificación mundial, según la OCDE, y en sanidad, cuatro millones de franceses han perdido sus ayudas.


Quem tanto prometeu, em 2007, mudar a França, cinco anos depois a mudança concretizou-se, mas no sentido oposto ao prometido.
Hoje, Sarkozy apresenta a recandidatura ao Eliseu.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O grande perigo da extrema-direita francesa


Há dias, quando Sarkozy visitou a Guiana francesa, transpirou a notícia de que o actual Presidente francês dá por perdida a sua corrida, dado o quadro actual, de vulnerabilidade da França. Para quem se apresentou em 2007 como o homem que ia transformar a França, a mudança registou-se, sem dúvida, mas no sentido inverso ao prometido. O homem disse que se a França perdesse o triplo A "morria". Ora, a França perdeu, mas não está morto, apesar de andar moribundo.

Agora que faltam três meses para as eleições saem mais sondagens e esta, que apura a confiança que os franceses atribuem a cada candidato para lidar com os diversos desafios sectoriais, atesta como em nenhum dos nove items Sarkozy seja considerado melhor que os seus oponentes. Hollande destaca-se em sete e com grande vantagem numa das áreas mais sensíveis, que o candidato socialista tem destacado: a pobreza e a precariedade. A outra pessoa que se destaca é Marine Le Pen, que bate os seus adversários nos assuntos clássicos da extrema-direita: a imigração e a insegurança.

Se pode haver razões de satisfação pela derrota iminente de Sarkozy, apesar de ser prematuro desconsiderar o líder da UMP, há um factor a considerar e bem perigoso: Marine Le Pen. A candidata da Frente Nacional arrisca-se a passar à segunda volta, perante a fraqueza de Sarkozy.

Todos os candidatos têm feito e vão continuar a fazer do ataque ao Presidente gaulês, com trágicos resultados para apresentar dos seus cinco anos de mandato, uma das armas de campanha. Se esta crítica torna mais frágil a candidatura de Sarkozy, faz, também, um apelo implícito à mudança de parte do eleitorado da UMP, cada vez mais perto da FN, do que propriamente do MoDem, de Bayrou, ainda que este possa ser um dos beneficiados, por parte da direita moderada desiludida com Sarko.

Ora, é aqui que reside o grande problema. Marine Le Pen não corre só para as presidenciais de 2012, o seu projecto é de fundo. E estrear-se numa eleição, ela que substitui o pai pela primeira vez na corrida presidencial, com uma passagem à segunda volta seria ouro sobre azul. Razão pela qual é importante que não se entenda as presidenciais francesas deste ano como a derrota de Sarkozy, pois a direita democrática gaulesa pode estar em causa.  

O “sonho francês” é essencial para o futuro da Europa

Escrevi um artigo, no Acção Socialista, que saiu na edição, deste mês de Janeiro, referente à eleição presidencial francesa.


O “sonho francês” é essencial para o futuro da Europa

A França é um dos grandes esteios europeus, tanto pela sua dimensão de país fundador do projecto europeu como pela sua dimensão, dada a sua História, Cultura, centro de excelência mundial. E, para nós, portugueses, a França tem um valor relevante, pois foi o país para onde muitos portugueses emigraram, em busca de um futuro que o Portugal amordaçado não lhes garantia. Além desta ligação afectiva, o país das Luzes tem para nós, socialistas, um significado muito especial: é um dos berços dos nossos valores políticos e foi com os socialistas franceses que pudemos contar, num momento crucial do nosso País, para conquistar e consolidar a Democracia em Portugal.

Tudo isto reporta a um período de grande pujança económica, social e cultural de França, que teve nos mandatos de François Mitterrand (de 1981 a 1995) o seu expoente máximo. E esta liderança fez com que se registassem grandes avanços, políticos e sociais em França e na União Europeia, dos quais, nós, portugueses, beneficiámos directamente, desde logo, pelas vantagens conquistadas com a nossa adesão ao projecto europeu, em 1986.

Desde a saída deste histórico socialista, a França entrou num declínio que aflige, pois apesar de grande, a França deixou de ser o gigante europeu de outros tempos, como a recente perda do triplo A comprova.
Se os dois mandatos de Jacques Chirac (de 1995 de 2007) contribuíram para a decadência, este mandato desastrado e erróneo, iniciado por Nicolas Sarkozy em 2007, acabou por a acentuar.

Não é pois, por acaso, que o mau estado da UE, hoje, seja um reflexo directo da vulnerabilidade francesa actual, pois ambas estão intimamente ligadas e dependentes.

É, por isso, que as eleições presidenciais francesas, que se vão realizar a 22 de Abril (primeira volta) e 6 de Maio (segunda volta), são determinantes para os franceses e para os europeus. Da opção dos gauleses vai depender o futuro da França e da UE. E esta eleição tem uma particularidade importante: vai ser das mais disputadas de sempre, uma vez que estão presentes várias candidaturas, que traduzem as várias sensibilidades existentes no país.

Se a extrema-direita já adquiriu o seu lugar de destaque na sociedade, o que já é bastante preocupante, e é bem possível que uma das candidaturas na segunda volta seja a de Marine Le Pen, a direita apresenta-se dividida, com Nicolas Sarkozy e Dominique Villepin. A esquerda radical, como sempre, apresenta-se com várias candidaturas. Mas, para já, o grande favorito, assim se espera que continue, é François Hollande, o candidato socialista.

Hollande tem apresentado uma análise muito lúcida da actualidade. Reconhece o enfraquecimento de França e sabe que isso é uma séria ameaça ao futuro dos franceses.

O seu projecto, “o sonho francês”, procura retomar as causas da promessa republicana, ou seja, garantir às gerações seguintes condições melhores do que tiveram as precedentes.

O desafio é elevado e não será fácil de cumprir, tendo em conta os ataques que está a sofrer o Estado Social, sem esquecer o estado da economia. Mas há uma coisa que nós, socialistas, sabemos por experiência própria, não foi com desistências nem conformismos perante as dificuldades que conseguimos operar as transformações que deram à sociedade os ganhos e os progressos desejados. Aliás, sempre que fraquejámos, registaram-se recuos e assinalaram-se perdas, mas sempre que enfrentámos os problemas e os obstáculos, acreditando nas nossas causas, sendo fieis aos nossos valores e dando o nosso melhor, o Socialismo triunfou e contribuiu decisivamente para melhorar as condições de vida das pessoas.

É, pois, com base no sonho que Hollande quer tornar realidade, que nós, europeus, também devemos ambicionar a sua indispensável vitória.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Discurso de François Hollande


O magnífico discurso proferido, hoje, por François Hollande, no arranque da candidatura ao Eliseu, está disponível aqui (vídeo e texto).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A melhor notícia para Marine Le Pen

Marine Le Pen teve hoje uma das suas melhores notícias. O corte do triplo A da França é, à luz da extrema-direita francesa, um sinal de como o actual sistema está desjustado à realidade e a necessidade da França fazer o seu caminho, fora do €uro, justifica-se, como a Frente Nacional defende.

Veremos como é recebido e entendido este corte do rating pelos franceses e qual o impacto na campanha eleitoral. Estamos a três meses das presidenciais.
Há tempos, Sarkozy disse que se a França perdesse o triplo A ele estaria morto. O actual Presidente francês não está morto, mas parte do eleitorado do UMP bem pode passar para a FN. O suficiente para o deixar de fora na primeira volta das presidenciais, sendo Marine Le Pen uma das finalistas.

O momento é mais do que propício para esta candidata, que se considera "a voz do povo, o espírito da França", aprofundar o seu populismo e demagogia. E nada como um momento em que a Alma está ferida para acenar com emoções, no caso totalmete irresponsáveis.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Marine Le Pen aproxima-se de Sarkozy


A três meses da primeira volta das presidenciais francesas, começam a sair mais sondagens. O candidato socialista, François Hollande, continua a liderar e o cenário tende a confirmar a passagem de Hollande, havendo, todavia, a dúvida de quem passará à segunda volta: Sarkozy ou Marine Le Pen.

Desde já, e apesar de reconhecer o favoritismo de Hollande, todos os cuidados são poucos e nada está garantido para o candidato socialista. Depois, há candidaturas que podem não ter grande percentagem, como a do ex-Primeiro-Ministro, Dominique Villepin, mas serem decisivas no desfecho, sem esquecer o fenómeno François Bayrou, e pode repetir-se o que se passou nas anteriores presidenciais, com o candidato do MoDem a ter um apoio expressivo. A candidatura dos Verdes, de Eva Jolie, também tem o seu peso.

Em suma, será uma eleição extremamente disputada e interessante, apesar das notícias que nos chegam nem sempre serem as mais entusiasmantes, como a de se saber, hoje, que quase um terço dos franceses se identificam com as causas da Frente Nacional, de Marine Le Pen. Ideias, em parte, assumidas e defendias por Nicolas Sarkozy.